Paisano, o médico Marcelo Queiroga tem uma missão impossível à frente do Ministério da Saúde: liderar o combate nacional à pandemia – e logo no auge dela – sem usar as armas da ciência. O uso de máscaras e o apelo a medidas de distanciamento social, duas dessas principais armas, estão proibidas no arsenal do governo de Jair Bolsonaro.
Queiroga não entende de gestão pública de saúde nem conhece Brasília. Será cobrado por algo que, por definição, não pode entregar: unidade nacional no enfrentamento à pior crise sanitária da história do Brasil.
Por mais que o chefe dele tente fugir à responsabilidade, não há como escapar ao preço da calamidade. Queiroga é o quarto ministro da Saúde da pandemia em razão dessa verdade política elementar.
Caso o médico siga a ordem do presidente de dar “continuidade” à gestão de Eduardo Pazuello, será apenas um asterisco entre o terceiro e o quinto ministro da pandemia. Esse curso de ação facilitará o trabalho do centrão: lideranças do grupo querem a caveira do médico – e dela não desistirão. O PP se julga no direito de assumir o Ministério da Saúde.
Mesmo que tenha boas ideias e revele ser um líder competente, Queiroga terá que vencer batalhas internas no Ministério. Sobram coroneis e faltam gestores de carreira nos cargos-chave. Sem derrubar os militares, Queiroga confinará eventuais boas ideias ao isolamento de apresentações de PowerPoint.
O médico sabe que o comandante chama-se Jair Bolsonaro. Sob as ordens dele, a derrota nessa guerra é certa. E dolorosa – para ele e, sobretudo, para os brasileiros.

