O Banco Central aumentou a taxa básica de juros de 2% para 2,75%. A decisão surpreendeu o mercado. Não pelo aumento, que se aguardava, mas pelo tamanho dele, que parecia improvável.

Para o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, a decisão do Comitê de Política Monetária foi forte o suficiente para tentar reduzir a inflação já neste ano e, ao mesmo tempo, diminuir as desconfianças dos mercados financeiros com relação a medidas populistas na economia. 

O comunicado do Copom prevê a continuação do que chamou de “normalização parcial do estímulo monetário”, com outro ajuste da mesma magnitude nas próximas reuniões. 

O economista-chefe da Necton Investimentos, André Perfeito, diz que o mercado não esperava um aumento de 75 pontos-base. Para ele, o Banco Central quis se antecipar para tentar encerrar o ano com a Selic em 5%. “A cotação do dólar deve cair amanhã”, prevê.

“Bolsonaro pode não gostar. O problema não é Lula candidato no ano que vem, é Bolsonaro candidato neste ano”, diz Perfeito sobre o risco de populismo na economia. Padovani também alerta que a demissão do presidente da Petrobras consolidou as desconfianças nos mercados financeiros. A antecipação da corrida eleitoral, afirma, elevou a percepção de risco de intervenção do governo.

O Copom tinha elevado a Selic pela última vez em julho de 2015, de 13,75% para 14,25%. Depois, houve reduções constantes até os 2% ao ano definidos em agosto do ano passado. A última divulgação da pesquisa semanal Focus trouxe expectativa média de a Selic alcançar 4,5% ao ano no fim deste ano e 5,5% no fim de 2022.