Aliados de Jair Bolsonaro têm aconselhado o presidente a dar peso maior ao dinheiro do fundo partidário na hora de escolher onde se filiar para disputar a Presidência da República no ano que vem. Outro ponto importante, dizem, é o tempo de TV.

Esses conselheiros dizem a Bolsonaro que, ao contrário de 2018, quando pode fazer uma campanha barata e sem tempo de propaganda eleitoral, em 2022 ele precisará de dinheiro para percorrer o país, além de gastar com uma boa campanha na televisão para defender a sua gestão.

A confirmação pelo Supremo Tribunal Federal do restabelecimento dos direitos políticos do ex-presidente Lula é argumento central para a preocupação com a companha. Para os conselheiros de Bolsonaro, o petista irá percorrer o país para apontar erros e criticar sua gestão.

Depois de um desgastante período como presidente de um país que vem batendo recordes diários de mortes na pandemia, Bolsonaro perdeu os argumentos da campanha de 2018. Ele não convence mais ninguém sobre a “nova política” porque está sendo apoiado pelo centrão no Congresso e já mostrou que não é liberal na economia. O ministro Paulo Guedes coleciona derrotas na sua agenda.  

Para Bolsonaro, é importante ter o controle do partido, ao menos durante a sua campanha, porque ele teme sabotagens. Na análise desses aliados, o PSL seria a melhor opção porque foi pela legenda que se elegeu em 2018. Em 2020, o PSL ficou com 193 milhões de reais do fundo eleitoral e outros 98 milhões do fundo partidário.

Embora o presidente da legenda, o deputado Luciano Bivar, diga em entrevistas que dificilmente Bolsonaro deixaria de ser extremista para se filiar ao PSL, as conversas continuam ocorrendo, principalmente pelo vice-presidente da siga, Antonio Rueda.