Depois de muita pressão para ser aprovado na Câmara, o projeto de lei que facilita a compra de vacinas contra a Covid-19 por empresas privadas está parado no Senado faz 20 dias. Não há sinal de o presidente Rodrigo Pacheco incluí-lo na pauta de votações e os líderes dos partidos tampouco se mobilizam por ele.
Na avaliação de muitos senadores, não é o momento para abrir a vacinação fora do SUS se há falta de imunizantes no país. Essa sensibilidade política que não prevaleceu na Câmara frustra vários empresários que apoiam o presidente Jair Bolsonaro, como, por exemplo, Carlos Wizard do grupo Sforza e Luciano Hang das lojas Havan. Os deputados aprovaram mudanças que liberam metade das doses compradas para a imunização dos empregados.
Executivos das indústrias farmacêuticas que produzem vacinas contra Covid-19 já se manifestaram contra a venda para empresas. Preferem fornecer a governos ou organizações multilaterais porque a demanda é mundial e, principalmente, querem evitar danos à reputação das empresas.
A legislação vigente autoriza empresas privadas a comprarem vacinas contra a covid-19, mas sob a condição de os imunizantes estarem registrados na Anvisa. O sinal verde da agência reguladora pode ser emergencial, excepcional ou temporária. Além disso, todas as doses têm se ser doadas ao Programa Nacional de Imunizações vinculado ao Sistema Único de Saúde.

