O presidente Jair Bolsonaro determinou ao ministro Jorge Oliveira, do Tribunal de Contas da União, que fique a postos para assumir a vaga que se abrirá no Supremo com a aposentadoria do decano Marco Aurélio Mello. O ministro do TCU e ex-conselheiro jurídico de Bolsonaro já havia recusado uma sondagem do presidente. 

Agora, porém, Bolsonaro mudou o tom. Em conversa pessoal, explicou que o embate entre Humberto Martins (presidente do STJ) e André Mendonça (advogado-Geral da União) pela vaga está causando ruídos que ameaçam tornar a disputa numa crise política danosa ao governo. O convite virou ordem – caso o presidente opte, de fato, por uma solução caseira. (Jorge declara-se um soldado de Bolsonaro.)

Ao se posicionar abertamente nos últimos meses como candidato, o ministro Humberto Martins conquistou o apoio do senador Flávio Bolsonaro e do advogado Frederick Wassef. Ambos escolheram Kassio para o Supremo. São os principais responsáveis pelas nomeações aos tribunais superiores. Com eles, vieram o centrão e o favoritismo.

Veio também, contudo, a rejeição discreta de uma ala do Supremo – e vieram episódios que causaram desgaste público, como a notícia do Bastidor sobre decisões heterodoxas de Martins no caso do leilão do aeroporto de Manaus. 

André Mendonça, por sua vez, enfrenta, além da oposição do centrão, uma forte rejeição no Senado e em setores da bancada evangélica