José Maurício Pereira Coelho renunciou hoje, terça-feira 25 de maio, à presidência do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, Previ. Ele estava no cargo há três anos e se despedirá em 14 de junho. O anúncio reforça as dúvidas sobre a venda das ações da BRF para a Marfrig.

No fim da sexta-feira passada, o mercado foi informado pela Marfrig que a companhia estava comprando 24,23% da BRF. A Previ tinha feito um investimento na aquisição de ações da BRF nos anos 90 e reduziu sua posição de 9,16% para 6,04%. A Comissão de Valores Mobiliários e o Tribunal de Contas da União vão analisar a operação que levou a Marfrig a assumir o posto de principal acionista na BRF. O fundo de pensão dos empregados da Petrobras (Petros) tem 9,9% e a Kapitalo Investimentos, 5,02%.

Especulações apontam que a negociação foi conduzida pelo chairman da BRF, Pedro Parente, para influenciar uma eventual troca de comando na empresa. O executivo estava pressionado nos últimos meses pelo fraco desempenho da companhia. Essa foi a segunda tentativa de Parente de levar a Marfrig a se unir à BRF.

Em maio de 2019, Parente levou uma proposta de fusão da BRF com a Marfrig para o conselho de administração, mas foi rejeitada pelos representantes da Petros e da Previ. Naquela ocasião, um graduado executivo do Banco do Brasil liderou o movimento para barrar qualquer venda de ações da BRF abaixo de R$ 30 para evitar perdas aos beneficiários da Previ. Na sexta-feira, a Previ vendeu em leilão um terço das ações que detinha por R$ 27,15. O TCU vai analisar se a operação causou prejuízo aos funcionários do BB.

A assessoria da Previ foi procurada, mas não comentou o assunto.