O presidente do Banco do Brasil, Fausto Ribeiro, está sob pressão do PP para acomodar o mais rápido possível alguns dos seus apadrinhados. O partido ajudou na indicação de Fausto e agora cobra a colocação de pelo menos dois nomes para cargos no BB ou em empresas ligadas ao banco.

Um deles é o piauiense Nelson Antônio de Souza, apadrinhado do senador Ciro Nogueira, presidente do partido. Nelson trabalha desde o início da gestão de João Doria e hoje é um dos nomes fortes do governo à frente do Desenvolve SP, agência de desenvolvimento paulista. Mas Nelson também trabalhou na gestão do PT. No governo Dilma Rousseff, ele presidiu o Banco do Nordeste.

Nelson também atuou no governo Michel Temer, quando foi presidente da Caixa. A passagem de Souza pelo banco provocou controvérsia. Com apoio do PP, ele esteve à frente dos esforços para renovar antecipadamente a parceria da Caixa com a francesa CNP no setor de seguros, ainda em 2018.

Analistas consideraram o movimento prejudicial à Caixa. Adiou a possibilidade de rentabilizar a área por meio de um IPO. Hoje, o banco finalmente está livre para promover a oferta pública. Nelson e Fausto Ribeiro estiveram juntos recentemente. 

O outro nome que o PP tenta emplacar e que ganhou força com a renúncia de José Maurício Coelho do fundo de pensão dos funcionários do BB, Previ, foi o do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. O partido iniciou um movimento para PH, como ele é conhecido, assumir a Previ. Mas o estatuto do fundo traz alguns complicadores que podem impedir indicações políticas.

Paulo Henrique ganhou evidência quando o seu nome apareceu na assinatura do contrato de empréstimo de R$ 3,1 milhões que o BRB fez, com taxas abaixo das praticadas no mercado, para o senador Flávio Bolsonaro comprar a mansão em Brasília. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público do Distrito Federal.