O alto-comando do Exército pode decidir nesta semana se estabelece punição ao general Eduardo Pazuello por ter participado de ato político em 23 de maio com o presidente Jair Bolsonaro no Rio, atividade proibida para militares da ativa.

O colegiado integrado pelos generais quatro estrelas está emparedado entre a pressão do presidente Jair Bolsonaro pela absolvição de Pazuello e o risco de participação descontrolada de militares da ativa na política, o que pode significar anarquia e indisciplina nos quarteis durante a campanha de 2022.

Na reunião realizada pelo alto-comando do Exército logo depois do ato com Bolsonaro e Pazuello no Rio, quatro generais defenderam a prisão do ex-ministro da Saúde, mas foram convencidos de que a medida poderia ser interpretada como afronta ao presidente Bolsonaro. Nesse momento, o caldo já começava a entornar para os defensores das forças armadas profissionalizadas e longe da política partidária.

Há generais muito preocupados porque, na visão deles, o pedido de Bolsonaro ao comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, enfraquece a disciplina e divide o alto comando.

Um dos generais chegou a alertar, em reunião recente, que a indisciplina marcou a vida militar de Bolsonaro. O então capitão Jair Bolsonaro foi para reserva no fim dos anos 80 depois da absolvição no Superior Tribunal Militar. Ele tinha sido acusado de planejar a colocação de bombas para forçar o aumento dos soldos.