A médica Luana Araújo prestou um depoimento de sete horas hoje, quarta-feira 2 de junho, aos senadores da CPI da Pandemia e reforçou a suspeita de o presidente Jair Bolsonaro ser o ministro da Saúde de fato.

O Brasil contou até hoje 467.706 mortes provocadas pela covid-19.

Luana disse que foi convidada pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para assumir a secretaria extraordinária de enfrentamento à Covid-19, mas não sabe o motivo de não ter sido nomeada dez dias depois do convite. Ela ouviu de Queiroga que seu nome seria reprovado na Casa Civil.

Em seu depoimento, Luana deixou claras suas posições contra o uso de cloroquina para tratar doentes com covid. “Essa é uma discussão delirante, esdrúxula, anacrônica e contraproducente”, disse.

Ela lamentou que, mais de um ano depois do início do isolamento social para enfrentar a pandemia, os brasileiros ainda estejam na “vanguarda da estupidez mundial”. “Nós ainda estamos aqui discutindo uma coisa que não tem cabimento. É como se a gente estivesse escolhendo de que borda da Terra plana a gente vai voar, não tem lógica”, criticou.

Bolsonaro demitiu, em plena pandemia, três ministros da Saúde. Desde o início da crise sanitária, o presidente ataca o uso de máscaras, o isolamento social, as medidas de controle tomadas por governadores e prefeitos e defende o uso da cloroquina apesar de ser medicamento comprovadamente imprestável para tratar a Covid-19.