Modelos elaborados pelos técnicos do Ministério da Saúde indicam alta probabilidade de aumento expressivo no número de jovens hospitalizados por covid nos próximos meses. O crescimento de casos moderados e graves em adolescentes e jovens adultos já acontece no Brasil, como em outros países, em face da progressão esperada da pandemia e da imunização dos mais velhos.
Nos Estados Unidos, o CDC deve recomendar a vacinação de jovens a partir de 12 anos. Como o Brasil sofre com a escassez de doses, porém, os gestores querem campanhas de prevenção direcionadas a esse público-alvo.
Caso os modelos se confirmem, os técnicos temem que novas suspensões de aulas presenciais tornem-se inevitáveis, resultando, possivelmente, em mais um ano perdido nas escolas.
Gestores mais cautelosos têm medo de outra possibilidade, ainda considerada remota: que o vírus, após as mutações exitosas recentes, passe a atacar com mais violência os mais jovens.
Trata-se de uma visão minoritária e contrária ao que já se sabe acerca do novo coronavírus. Contudo, os técnicos preferem contemplar em seus cálculos todos os cenários, ainda que improváveis. “Esse vírus é traiçoeiro e já nos surpreendeu bastante. Precisamos ter humildade e cabeça aberta para lidar com as incertezas que ele nos impõe”, diz um dos principais técnicos do SUS.

