O lobista Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, a associação dos grandes consumidores de energia, é uma das principais vozes da indústria nos debates da MP da privatização da Eletrobras em Brasília. Ele diz defender apenas os interesses dos grandes e pequenos consumidores, mas talvez não seja bem assim. 

Há dúvidas se o lobista atua somente em favor das indústrias e do consumidor. Ele tem uma empresa de consultoria e o sócio dele, por sua vez, tem participação em, ao menos, oito empresas da área de energia. Paulo Pedrosa, portanto, defenderia também os interesses do seu sócio, além da Abrace que preside.

Consultados, parlamentares que conhecem a área de energia e discutem a MP da Eletrobras não sabem se Pedrosa defende as posições da indústria ou das empresas de seu sócio. Mas a informação gerou dúvidas e incômodo no meio político, que decide se vota ou não a MP em que Pedrosa atuou nos últimos meses.

Essa não é a primeira vez que os senadores ficam incomodados com Paulo Pedrosa. O lobista sempre defendeu que o texto da medida provisória da forma que está encareceria muito o preço da energia paga pelos brasileiros comuns. A equipe econômica do governo, no entanto, apresentou cálculos que apontam justamente o contrário.

Alguns parlamentares se sentiram incomodados pelo lobista e esperava que ele tivesse dito nas conversas qual lado de fato estava defendendo na MP. Agora se sabe mais um: do seu sócio.