O fracasso da reunião de ontem (quarta) entre líderes dos partidos de centro expõe a difícil missão daqueles que se propõem a construir um nome para furar a polarização entre Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula em 2022.

Desde que Edson Fachin liberou o petista para concorrer com Bolsonaro, os principais líderes de legendas de centro-direita e de centro-esquerda estão desnorteados. Antes, já não viam opções viáveis para competir contra Bolsonaro. Depois que Lula voltou e a polarização estabeleceu-se, restou ainda mais improvável encontrar uma terceira via.

É prudente lembrar que, no relógio da política, falta uma eternidade para as eleições presidenciais. Nem por isso, porém, pode-se ignorar a ausência de projetos e, consequentemente, nomes competitivos para o centro.

Não é fortuito que Luciano Huck tenha desistido de sua candidatura. Nem que Sergio Moro esteja longe, bem longe, de se convencer de que vale a pena investir numa pré-campanha.

Como demonstram as pesquisas e a experiência cotidiana de alguns do principais políticos do país, os brasileiros não parecem querer o novo (Huck ou Eduardo Leite) nem um símbolo (Moro). Nenhum nome empolga.

O chamado centro democrático assusta-se com a dificuldade de João Doria em se firmar como candidato no PSDB. O governador de São Paulo teria, em tese, um tremendo ativo eleitoral: ter sido responsável, em larga medida, por vacinar os brasileiros, firmando-se potencialmente como líder político no combate à pandemia, em contraponto vantajoso a Bolsonaro.

Era o cenário, aliás, que Lula mais temia – mas que parece cada vez mais improvável.

Apesar das muitas conversas nos últimos dois anos, o centro segue incapaz de elaborar uma estratégia alternativa para ganhar as próximas eleições presidenciais. A cada dia sem um rumo definido, a terceira via definha.

Enquanto esses partidos de centro debatem como se estivessem em 2019, Bolsonaro e Lula trabalham como se estivessem em 2022. Salvo imposição do imponderável, ambos marcham firmes para disputar uma final ano que vem.