A abertura dos mercados financeiros, mais adiantada no Reino Unido, tem sido uma importante referência para as autoridades brasileiras do Banco Central que conduzem o open banking.
O professor do College of Europe em Bruges (Bélgica) e executivo adjunto no Bank of England, Philip Marsden, participou de evento com advogados brasileiros na quarta-feira, 16 de junho, e afirmou que a chegada das gigantes de tecnologia é inevitável, o que impõe a necessidade de ouvir os legítimos argumentos dos bancos tradicionais quando tratam de fusões e aquisições.
Marsden disse que é preciso todo o cuidado com as gigantes da tecnologia porque elas sabem muito mais de nós que os bancos, afinal, são empresas especializadas em dados. Ao mesmo tempo, esse enorme poder pode ser bem administrado para estimular a concorrência nos serviços financeiros.
O professor britânico afirmou que o open banking tem potencial para revolucionar o mercado financeiro e as autoridades do Reino Unido trabalham para aumentar a concorrência e despertar bancos e clientes para uma nova realidade altamente impactada pela tecnologia. Ele disse que os dados são dos consumidores e não das empresas, mas é preciso primeiramente dar essa consciência às pessoas.
Nesse cenário de transição, Marsden ressaltou a importância de desagregar os serviços bancários e incentivar a comparação de preços para que os consumidores tenham a melhor informação possível na hora de decidir.
Diferentemente do Brasil, Marsden contou que o open banking britânico começou com uma grande investigação que impôs fortes medidas aos bancos, mas, ao mesmo tempo, negociaram condições que desestimulassem a judicialização.

