Em conversa recente com aliados, o presidente Jair Bolsonaro especulou sobre o perfil ideal de seu candidato a vice nas eleições do ano que vem, já que o general Hamilton Mourão está descartado neste momento.
Nos sonhos de Bolsonaro, o vice seria um político que ajude no relacionamento com o Congresso, atraia os eleitores nordestinos e agrade os evangélicos, grupo considerado como o mais fiel entre seus seguidores.
Um parlamentar com essas qualidades pode ser escolhido facilmente? O maior problema é que, tradicionalmente, Bolsonaro não confia em políticos porque diz que seria “traído na primeira oportunidade”.
O centrão vai participar. O senador Ciro Nogueira, presidente do PP, e o deputado federal Marcos Pereira, presidente do Republicanos, vão sugerir nomes a Bolsonaro.
O pastor Silas Malafaia, com quem frequentemente conversa, já sugeriu que em vez de indicar André Mendonça para o Supremo Tribunal Federal, escolha o atual ministro-chefe da AGU para vice na chapa do ano que vem. Bolsonaro gostou da ideia de um evangélico como vice.
Bolsonaro procura um vice para 2022, mas reconhece virtudes em Mourão. Cita que um dos obstáculos para o seu impeachment foi a postura do general que não seguiu o exemplo de Michel Temer. O presidente ainda admite que os partidos de esquerda sempre rejeitaram seu vice por suas declarações quando estava na ativa.
O presidente, contudo, rejeita a independência de Mourão porque vê nessa atitude um ataque à sua autoridade. “Coisa de general que não me aceita como comandante”, afirmou, segundo relato de um de seus interlocutores.

