Ricardo Salles avisou o presidente Jair Bolsonaro que deixaria o Ministério do Meio Ambiente em uma conversa no início de junho. Reclamou que estava sendo perseguido pelo delegado da Polícia Federal Franco Perazzoni e que o Supremo Tribunal Federal foi muito duro nos dois inquéritos contra ele. Desistiu do governo quando viu sua mãe investigada.

Bolsonaro disse ao leal ministro que só sairia do governo se quisesse. O presidente relatou as pressões que vinha sofrendo de parlamentares para substituí-lo desde antes da operação policial em 19 de maio. Para o presidente, nada abalava a confiança em Salles.

O presidente gosta do confronto, da guerra. Bolsonaro passou a elogiar mais seu ministro do Meio Ambiente que estava sob fogo da polícia, do Supremo e do centrão.

A trajetória de Ricardo Salles no governo Bolsonaro acabou ontem, quarta-feira 23 de junho. O candidato a deputado federal pelo Partido Novo que não conseguiu se eleger em 2018 será substituído por Joaquim Álvaro Pereira Leite, secretário da Amazônia e Serviços Ambientais no MMA.

Salles vai dedicar seu tempo mais livre agora à defesa em dois inquéritos por suspeita de corrupção em favor de madeireiros. Um deles investiga se o ex-ministro atrapalhou a maior apreensão de madeira ilegal da história. Outro apura se ele facilitou a exportação ilegal de madeira para os Estados Unidos e para a Europa.