O presidente Jair Bolsonaro e seus principais aliados trabalham com a informação de que o servidor Luis Ricardo Miranda, irmão do deputado Luis Miranda, gravou o encontro entre os três no Palácio da Alvorada. Na conversa, dizem ter relatado ao presidente as suspeitas de corrupção no contrato da vacina indiana Covaxin. Bolsonaro não negou a existência da conversa nem o teor dela.

O funcionário do Ministério da Saúde usou uma caneta espiã com funcionalidade de gravação em vídeo – segundo, repita-se, a informação em que Bolsonaro confia. Esse tipo de caneta é vendida em camelôs. Não tem qualquer sofisticação.

A convicção de que há uma gravação determina os próximos passos do presidente – e, consequentemente, da crise do caso Covaxin. Ele age, por ora, com cautela, à espera do teor da conversa.

Em entrevista no sábado ao site O Antagonista, os irmãos Miranda deram a entender que gravaram o encontro com Bolsonaro. Usaram e usam a dubiedade para tentar se proteger politicamente de retaliações. Eles se recusam a esclarecer se gravaram o presidente.