A crise das acusações de corrupção envolvendo a compra da vacina indiana Covaxin pelo Ministério da Saúde de Jair Bolsonaro azedou o clima entre os caciques do PP. O deputado Ricardo Barros procurou o presidente do partido, senador Ciro Nogueira, para reclamar da postura do presidente da Câmara, Arthur Lira.

Barros disse a Nogueira que Lira atuou para incriminá-lo quando o deputado Luís Miranda expôs a pressão sofrida pelo seu irmão, Luís Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, para apressar a compra da Covaxin.  

De acordo com os protestos que Barros levou a Ciro Nogueira, Lira agiu porque tem interesses pessoais na rivalidade que mantém com o líder do governo, mas prejudica o partido.

A desconfiança de Barros começou porque Lira disse a interlocutores, como informou o Bastidor antes do depoimento de Miranda, que só aguardava o momento em que seu desafeto seria exposto.

Lira e Barros disputam influência no governo. Dois meses atrás, Lira trabalhou para a substituição de Barros na liderança do governo. A resposta de Barros foi tentar desestabilizar a ministra Flávia Arruda, da Secretaria de Governo, aliada de Lira. Bolsonaro manteve Arruda e Barros em suas funções.

Ciro Nogueira tem a missão de evitar que a luta interna no PP escape do controle e se transforme em guerra.