O grupo político do senador Flávio Bolsonaro recebeu com risadas e muitos emojis felizes a notícia de que a CPI da Pandemia decidiu adiar ontem à noite o depoimento que o lobista Francisco Emerson Maximiano, o Max, prestaria hoje (quinta). No começo da madrugada, prevalecia o sentimento de alívio entre eles – para alguns, de missão cumprida.
Num movimento um tanto abrupto, a cúpula da comissão resolveu desmarcar o depoimento de Max, protagonista do caso Covaxin. Aconteceu horas após a esperada decisão de Rosa Weber, que concedeu HC para que o lobista pudesse ficar em silêncio.
Nos últimos dias, aliados de Max mandaram recados pesados à família Bolsonaro, a governistas e a integrantes do PT e do PMDB. Como o Bastidor revelou, o lobista ascendeu graças a rolos com integrantes dos dois partidos. Num desses casos, é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro perante o Supremo, em esquema no Postalis cuja chefia é atribuída a Renan Calheiros.
Max, de acordo com evidências bancárias, fiscais e testemunhais obtidas pela reportagem, pagou propina a petistas para obter contrato nos Correios e na Petrobras, durante o governo de Dilma Rousseff.
A Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a CPI trabalham com a hipótese de que Flávio e o advogado Willer Tomaz, amigo dele e de Arthur Lira, atuaram na negociação do contrato de US$ 300 milhões obtido por Max no Ministério da Saúde. O senador reclamou, durante sessão na CPI, que o sigilo de Willer fora quebrado pela comissão ilegalmente, em busca de informações sobre a alegada participação de ambos no lobby pela Covaxin.
Reservadamente, os senadores da CPI disseram ter adiado o depoimento de Max para evitar que ele se mantivesse em silêncio, a exemplo do que aconteceu com o empresário Carlos Wizard. Não há nova data para o depoimento.
A justificativa pode até proceder, mas não é lá tão convincente. Seja agora, seja depois, Max terá o HC e o consequente direito de ficar em silêncio. Nada mudará nesse sentido. O testemunho dele é central ao deslinde do caso Covaxin. O adiamento permitirá que o lobista e seu grupo recuperem-se das pancadas sucessivas dos últimos dias e montem uma defesa alinhada e coesa.
No lugar de Max, a CPI ouvirá o empresário que afirma ter sido achacado por Roberto Ferreira Dias, ex-homem do centrão no Ministério da Saúde.

