O presidente Jair Bolsonaro procura uma saída que provoque o menor dano possível na crise das acusações de corrupção em compras de vacinas. Seu líder na Câmara, Ricardo Barros, nega envolvimento nas supostas irregularidades. Os movimentos no Palácio do Planalto são para manter o casamento com o centrão.

Neste momento, Bolsonaro confia em Barros e acredita na versão que ele apresentou.

Segundo o que disse Barros a Bolsonaro, a indicação de Roberto Ferreira Dias para chefiar o Departamento de Logística em Saúde, foi do DEM, especificamente do ex-deputado federal Abelardo Lupion, próximo de Onyx Lorenzoni, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República.

Dias era o homem do centrão no Ministério da Saúde até ser exonerado ontem, quarta-feira 30 de junho, por causa do escândalo das suspeitas de corrupção nas compras das vacinas AstraZeneca e Covaxin.  

A aliados, Bolsonaro disse que chamou sua atenção a iniciativa de Onyx Lorenzoni ao convocar a imprensa para fazer um pronunciamento, em tom de ameaça, para responder às acusações do deputado Luís Miranda, colega de partido. Naquela oportunidade, os jornalistas não puderam fazer perguntas.

Bolsonaro sabe que o PP não pode desembarcar do governo porque esse movimento representa elevar o risco de impeachment ou, na melhor das hipóteses, tornar a vida do governo um inferno na Câmara, repetindo o roteiro imposto a Dilma Rousseff.

Para piorar a situação, há disputa entre Ricardo Barros e o presidente da Câmara, Arthur Lira. Bolsonaro ainda não encontrou uma maneira de evitar uma guerra se retirar de Barros a liderança do governo. Não é por acaso que atendeu pedido do presidente do PP, senador Ciro Nogueira, ao indicar Alexandre Cordeiro à presidência do Cade.