O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, está à deriva. Apesar da relevância do cargo que conquistou há poucos meses, perde força velozmente em Brasília. Por ora, é um ator político secundário na capital.
Ao assumir a Presidência do Senado, Pacheco tentou se posicionar como um político de pacificação, ancorado na tradicional escola mineira de conciliação. Foi contra a CPI da Pandemia. Acabou tratorado pelos colegas e até pelo Supremo.
Ao contrário de Arthur Lira, que usou o prestígio do cargo desde o começo para acumular e exercer poder, especialmente graças à aliança forte junto ao Planalto, Pacheco aproximou-se do governo, mas não se comprometeu. Enquanto Pacheco hesita, Lira e seus aliados avançam.
Pacheco também não fechou logo, como havia prometido, com o PSD de Kassab – o que obrigaria o presidente do Senado a se distanciar de Bolsonaro. O chefe do PSD ainda aguarda uma definição para lançar Pacheco como pré-candidato à Presidência. (Pouca gente acredita que ele tenha apelo junto à população e se firme como candidato.)
Dando sinais de que está desconfortável no cargo, sem saber como proceder, Pacheco lançou o próprio nome a uma vaga no Supremo. A articulação contou com o apoio de senadores do MDB – um deles, caso o plano desse certo, herdaria a Presidência do Senado.
Nunca se pode duvidar de surpresas no governo Bolsonaro, mas o presidente e seus aliados não deram qualquer indicação de que Pacheco pode conseguir a vaga de Marco Aurélio Mello. A articulação parece natimorta.
Recentemente, Pacheco confidenciou a amigos que não deseja disputar outra eleição. Considera-se mais advogado do que político tradicional. E não gostou do que viu na campanha passada.

