A nota divulgada no início da noite de ontem pela cúpula militar foi ordenada pelo presidente Jair Bolsonaro. De acordo com fontes do Palácio do Planalto, ao saber da declaração de Omar Aziz sobre irregularidades apuradas na CPI da Pandemia na gestão de militares no Ministério da Saúde, o presidente mandou seu ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, tomar providências.

Bolsonaro determinou que os três comandantes das forças deveriam assinar a nota de repúdio em conjunto com o ministro da Defesa. O presidente fez a última leitura antes de a nota ser publicada.

Desgastado pelas investigações da CPI que avançam com as acusações de corrupção nas compras de vacinas, Bolsonaro já estava irritado com a declaração do relator Renan Calheiros.

Segundo o senador, a Polícia Federal foi usada para abrir inquérito da negociação da vacina indiana Covaxin dias antes de o lobista Francisco Emerson Maximiano, o Max da Precisa Medicamentos, depor na comissão. De acordo com essa versão, o inquérito serviu para o depoente pedir ao STF a garantia de ficar em silêncio para não se incriminar.

Quando soube que Omar Aziz tinha citado as Forças Armadas, o presidente determinou resposta imediata. Para Bolsonaro, a nota da cúpula militar foi uma demonstração de força de seu governo contra a comissão e reforçou que Roberto Dias, ex-diretor de Logística da Saúde, não foi abandonado.

Ao contrário do que diz a nota da cúpula militar, o presidente da CPI da Pandemia não atacou as Forças Armadas. Aziz disse: “as Forças Armadas, os bons das Forças Armadas devem estar muito envergonhados com algumas pessoas que hoje estão na mídia, porque fazia muito tempo, fazia muitos anos que o Brasil não via membros do lado podre das Forças Armadas envolvidos com falcatrua dentro do Governo. Fazia muitos anos. Aliás, eu não tenho nem notícia disso na época da exceção que houve no Brasil, porque o Figueiredo morreu pobre, porque o Geisel morreu pobre.”