O presidente Jair Bolsonaro conta com a saída de Ricardo Barros da liderança do governo tão logo preste depoimento à CPI da Pandemia.
Bolsonaro, porém, não decidiu se a liderança permanecerá com o PP, partido de Barros, ou se dará a outra legenda.
Apesar de o presidente contar com a saída amistosa, Ricardo Barros também não confirmou ao presidente que sairá. Numa tentativa de agradá-lo, Bolsonaro elogiou seu trabalho de líder no evento em que sancionou a lei que permite a privatização da Eletrobras nesta terça-feira, 13, no Palácio do Planalto.
Toda a engenharia para a troca de líder do governo na Câmara dos Deputados se tornou uma questão estratégica para Bolsonaro, que tentará desagradar o mínimo possível seus aliados.
Além de ter o presidente da Câmara, o deputado Arthur Lira, reivindicando a influência sobre o substituto de Barros, o Republicanos, partido ligado à Universal do Reino de Deus, também quer o cargo.
O presidente sabe que, com a queda em sua popularidade, não pode prescindir do centrão e que o grupo não é ideológico, mantendo seu apoio ao governo por conta de cargos.
Uma prova da preocupação do presidente em manter seus aliados ocorreu na semana passada, quando, em meio a confirmação de Paulo Roberto Vanderlei Rebello Filho para a presidência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Bolsonaro desistiu da indicação.
Rebello Filho é ex-assessor de Barros, que o indicou para agência.
Depois de o governo enviar mensagem para o Senado desistindo da indicação, Barros ligou diretamente para Bolsonaro. Conversaram, e o presidente desistiu da desistência de indicar o ex-assessor de seu líder para a ANS.
Fato é que a saída de Barros pode tem potencial para dar dor de cabeça a Bolsonaro, porque o PP não abre mão da liderança, Barros não acertou sua saída, e o Repúblicanos viu na crise uma possibilidade de ocupar a função.

