Um debate virtual promovido ontem, quinta-feira 29 de julho, pelo Banco Central, ressaltou a importância das escolhas tecnológicas na regulação do real digital. Eduardo Diniz, professor da FGV, disse que há risco maior quando se concentra dados.
A adoção de múltiplas plataformas interoperáveis para a moeda digital brasileira é, na avaliação de Diniz, a solução mais razoável. “A internet é um sucesso porque é um sistema robusto de infraestrutura distribuída. No passado, quando as centrais telefônicas caiam, todo o sistema entrava em colapso”, comparou.
Diniz aposta que será rápida e boa a adaptação das pessoas quando o Brasil disponibilizar sua moeda soberana digital. “Reagimos às novidades olhando para experiências passadas, mas o PIX mostrou que a facilidade do primeiro uso criou uma boa memória e superou qualquer desconfiança”, explicou.
João Manoel Pinho de Mello, diretor de Organização do Sistema Financeiro do Banco Central, afirmou que o real digital terá uso complementar e não vai substituir a moeda tradicional. Segundo ele, a adoção será gradual e vai procurar ampliar a inclusão financeira ao reduzir custo e tempo de pagamentos internacionais, por exemplo.
O diretor do BC admitiu que é preciso todo o cuidado na escolha das tecnologias para proteção os dados dos cidadãos, evitar ataques cibernéticos e corridas bancárias. Esses ativos digitais também não poderão substituir a moeda soberana de um país pela do outro.

