Aliados do governo no Congresso atribuem papel-chave ao ministro Paulo Guedes para a reeleição de Jair Bolsonaro no ano que vem. Segundo essa avaliação, o ministro da Economia será pressionado pelo presidente a apresentar soluções orçamentárias sem aumentar impostos.

Bolsonaro cobrou de todos os ministros soluções para melhorar a imagem do seu governo, mas admitiu recentemente a um parlamentar que o desafio mais complicado é o de Guedes.

Os parlamentares sabem que faltarão recursos para todos os planos de reeleição de Bolsonaro. Fazer deslanchar os novos programas sociais é missão fundamental para a sensação de bem-estar de uma população traumatizada pelas mais de 550 mil mortes decorrentes da pandemia, pelo desemprego e pelos aumentos dos preços.

A reformulação do Bolsa Família, com mais beneficiários recebendo valores maiores que os atuais é apenas uma das missões que Bolsonaro quer ver cumprida por Guedes. O presidente já afirmou que quer o valor médio pago pelo novo programa será o dobro dos atuais R$ 200 mensais.

Os contextos político e orçamentário são negativos para Guedes agradar ao chefe. As emendas do relator foram mantidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias, o que reduz a previsibilidade e o controle do Executivo sobre o planejamento das despesas.

Para piorar o cenário, o governo federal terá de pagar em 2022 aproximadamente R$ 90 bilhões decorrentes de decisões judiciais (precatórios). O Ministério da Economia busca uma fórmula para poder parcelar esses pagamentos e, portanto, encontrar recursos para o novo Bolsa Família.