O presidente da Câmara, Arthur Lira, é central no apoio a Jair Bolsonaro atualmente, mas essa proximidade pode prejudicá-lo. A depender da evolução da crise política que envolve o presidente, ele pode perder capital político e, em cenário extremo, não conseguir se reeleger deputado por Alagoas.
A análise é do cientista político André César, da Hold Consultoria. Por outro lado, ele admite que, a favor de Lira, está a capacidade de interpretar os humores do mercado e saber quando terá de abandonar o barco bolsonarista. Uma das características do centrão é a sobrevivência política independentemente de quem está ocupando o Palácio do Planalto.
Lira foi o segundo mais votado da bancada de nove deputados de Alagoas. Na eleição de 2018, recebeu 143.858 votos.
César afirma que, na escalada de agressividade de Bolsonaro contra a cúpula do Judiciário, Lira se afastou do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, que defende uma postura mais conciliatória mas, ao mesmo tempo, dá declarações de defesa da democracia e das instituições.
Na sexta-feira 6 de agosto, Lira anunciou que vai levar ao plenário a proposta de emenda constitucional do voto impresso, apesar de ter sido rejeitada na comissão especial.
As pressões contra Bolsonaro que atuam sobre Lira ainda não são intensas. O cientista político diz que o mercado financeiro olha mais para o curto prazo e ainda aposta que o centrão vai moderar Bolsonaro. É o que Ciro Nogueira se referiu na posse dele na Casa Civil como “amortecedor”. O vice-presidente general Hamilton Mourão é visto como outro personagem de contenção de Bolsonaro.

