O presidente Jair Bolsonaro ouviu de seu ministro-chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, a promessa de que se empenharia para a aprovação do voto impresso. Se necessário, trabalharia com o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, para mudar o texto da proposta, o que poderia aumentar as chances de sucesso em plenário. Faltou tempo e empenho.

Antes de aceitar o convite para assumir a Casa Civil, Ciro Nogueira, presidente licenciado do PP, tinha dito abertamente que era contra o voto impresso, mas ele não foi o único a simular que trabalhava para a aprovação da PEC. A articulação política de Bolsonaro está dividida entre Casa Civil e Secretaria de Governo.

A ministra-chefe da Secretaria de Governo é Flávia Arruda, do PL de Valdemar Costa Neto. O presidente do PL é contra o voto impresso, o que guiou a falta de movimento de Flávia Arruda na interlocução com os deputados.

A consequência dessa articulação desconectada com os objetivos políticos de Bolsonaro foi a derrota da PEC que precisava de 308 votos, mas obteve 229. Votaram contra 218 deputados e 64 deixaram de votar. Aécio Neves, do PSDB, chamou a atenção porque foi a única abstenção em toda a Câmara.  

Dos 41 deputados do PL, de Flávia Arruda, apenas 11 deram sim para o voto impresso. O PP, de Ciro Nogueira, também tem 41 deputados na Câmara, mas somente 16 deles acompanharam o que queria Bolsonaro.