A radicalização de Jair Bolsonaro contra o Supremo Tribunal Federal fortaleceu o movimento no Senado para barrar a indicação de André Mendonça à vaga aberta na corte. Em vez de Mendonça, parte desses senadores preferem o presidente do STJ, Humberto Martins, ou o procurador-Geral da República, Augusto Aras.

Salvo surpresas, Aras deve ser confirmado nesta semana pelo Senado para um segundo mandato como PGR. Ainda assim, é um nome que agrada bastante como alternativa a Mendonça. Transita bem no Senado. Embora o indicado de Bolsonaro enfrente resistências, tem força suficiente, ao menos por ora, para pautar a sabatina e ser aprovado nela, mesmo que isso demore um pouco, em razão da guerra entre o presidente e o Supremo.

Senadores ouvidos por Bastidor gostam do nome de Aras para o Supremo, caso a crise política avance e engula Mendonça. O problema, porém, é quem substituiria Aras na PGR. Todos apostam em Lindôra de Araújo, a subprocuradora alinhada a Flávio Bolsonaro que toca os principais casos penais da PGR.

Não são poucos os parlamentares que detestam e desconfiam de Lindôra. Alguns a qualificam como excessivamente ideológica – vide o parecer dela contra o uso de máscaras. Outros não esquecem que ela liderou, na visão deles, uma caçada aos governadores no ano passado, no chamado “covidão”. Parlamentares classificam a atuação da subprocuradora nesses casos como “perseguição”.