A articulação política do governo Jair Bolsonaro tenta emplacar a versão de que a sabatina do procurador-geral da República, Augusto Aras, nesta terça-feira, 24, será uma demonstração do trabalho para ampliar a base governista no Senado, iniciado na nomeação de Ciro Nogueira para a Casa Civil.

Não é, segundo um antigo senador governista. Ciro vende para o presidente a ideia de que a leitura feita sobre o comportamento do Senado em relação à administração de Bolsonaro está distorcida por conta da CPI da Pandemia, onde a oposição e os senadores independentes formam maioria.

Ciro tenta convencer o presidente de que a recondução de Aras à Procuradoria-Geral da República demonstra que o governo caminha para ter uma maioria segura no Senado, resultado de seu trabalho na articulação.

Um senador da base, porém, discorda. Para ele, a recondução do PGR diz muito pouco sobre o apoio do governo e mais sobre a atuação do próprio procurador.

Na avaliação do governista, até a oposição votará na recondução de Augusto Aras, embora durante a sua sabatina deva fazer perguntas mais duras. E o motivo, diz ele, é porque o PGR encerrou a Lava Jato e, segundo outro, “descriminalizou a política”.