Os ex-ministros da Defesa Nelson Jobim e Aldo Rebelo não param de conversar com congressistas, presidentes de partidos e até empresários preocupados com o risco de uma ruptura institucional. A todos, eles dizem não existir a possibilidade.
De acordo com os ex-ministros, que mantêm interlocução com as altas patentes das Forças, Bolsonaro deseja arrastar os militares para uma posição estratégica de ameaça de golpe, de modo a se impor politicamente. Mas, asseguram ambos, os militares têm “zero disposição” de atentar contra qualquer Poder.
Segundo interlocutores com quem Jobim e Rebelo conversaram, os militares sabem que os custos para uma “aventura” são altos demais, implicam “derramamento de sangue”, sanções internacionais, divisões internas e a perda da credibilidade que as Forças Armadas constroem desde o fim da ditadura perante a sociedade civil.
Eles admitem, porém, que Bolsonaro conseguiu convencer as altas patentes de que o Supremo tem atuado para prejudicar seu governo. Para eles, os ministros atuam deliberadamente para limitar as ações do Executivo e atrapalhar o presidente.

