Diálogos apresentados ao STF pela defesa de Lula e obtidos pelo Bastidor mostram que a relação entre a Lava Jato no Paraná e o governo Bolsonaro era conturbada. Um procurador identificado apenas como Paulo Galvão afirma em uma conversa com colegas que o rascunho de uma nota à imprensa “tá dando uma relevância à AGU maior do que o necessário”.

Paulo diz que “não é esse louvor todo”, porque “os caras nos criaram vários problemas”. Apesar de o procurador não citar exemplos, há uma briga conhecida nos bastidores entre MPF, AGU e CGU pela titularidade dos acordos de leniência – a PGR não assinou termo que criava um caminho conjunto para empresas denunciarem crimes.

A nota à imprensa foi elaborada por Deltan Dallagnol devido a uma reunião entre procuradores da Lava Jato no Paraná, André Mendonça – então AGU e atual candidato a uma vaga no STF – e Wagner Rosário, ministro da Controladoria-Geral da União. 

O texto dizia que o encontro serviu para alinhar estratégias de combate à corrupção. Mas um dos assuntos foi, segundo Dallagnol, o “caso do Lula na ONU”. Os procuradores pediram que o governo Bolsonaro os ajudasse junto à ação apresenta pelo ex-presidente ao comitê de Direitos Humanos da organização internacional.

Segundo Dallagnol, a ideia era reunir-se com AGU e CGU, para depois conversar com o chanceler Ernesto Araújo, que falaria do assunto “diretamente na reunião com Bolsonaro”.