Deputados da base do governo viram como chantagem a ausência de recursos para emendas do relator – a palavra chantagem foi usada por um parlamentar do PP, partido do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira.
Na avaliação do parlamentar, a PLOA foi uma tentativa do ministro da Economia, Paulo Guedes, de forçar o Congresso a autorizar a emissão R$ 164 bilhões em títulos da dívida pública. O valor está no projeto de lei da regra de ouro enviado em junho ao Congresso.
O relator da proposta negou o valor pedido por Guedes. O deputado Hildo Rocha já disse que em seu texto só vai autorizar a emissão de R$ 28 bilhões, porque tem havido aumento de arrecadação e não viu necessidade de mais.
De acordo com o ministro da Economia, quando da apresentação do projeto, se não houver a emissão dos R$ 164 bilhões ficará sem condições de manter a estrutura do serviço público, inclusive com pagamento de salário, a partir de outubro.
Para o aliado do governo, é “um tiro no pé” fazer o tipo de manobra. O Congresso mexe no texto, diz, e o governo fica a ver navios. Para além do serviço público, há as mudanças na lei para o novo Bolsa Família (Auxílio Brasil) e o pagamento de precatórios.
“Guedes não sabe, mas a [ex-presidente] Dilma sentiu o que é administrar o orçamento tendo o Congresso como inimigo”, disse, se referindo as chamadas “pautas bombas” de 2015, quando ela rompeu com Eduardo Cunha, então presidente da Câmara e que tinha o controle do centrão.

