Houve muita gente nos atos bolsonaristas, em Brasília, do 7 de setembro. Bolsonaro demonstrou força política hoje – uma força que não se via nas pesquisas e nas articulações de seu governo. O presidente tem, no mínimo, 20% do eleitorado – se 20% ou mais, não se sabe; sabe-se que é um percentual apaixonado e movido a sentimento fortes.
Bolsonaro mostrou que sabe mobilizar sua base. As imagens, capital simbólico irretorquível, não apontam para um presidente que derrete. Demonstram um presidente com condições de causar confusão à larga até 2022.
É força suficiente para dar curso às suas agitações políticas, de modo a tentar neutralizar as investigações no Supremo contra ele e sua família. Mas não é força suficiente para mexer com Brasília e a ordem constitucional vigente. É altamente improvável que haja qualquer genuflexão do Congresso e do Supremo aos ataques de Bolsonaro. Ao contrário.
Se não há força, por ora, para um pedido de impeachment, não há, também, para o avançar de ataques inconstitucionais ao Supremo. A instabilidade política perseguida por Bolsonaro mantém-se, mediante um equilíbrio frágil em que ninguém consegue – ou quer, no caso do Congresso – impor sua posição.
Ter ao menos 20% do eleitorado não significa, por óbvio, ter a maioria do eleitorado. Mas é gente suficiente para causar grande estrago no Supremo. Pela primeira vez, ao menos desde 1988, o tribunal foi alvo de ira popular em praças públicas – e de maneira expressiva.
Em Brasília, o presidente discursou para uma multidão que gritava em uníssono contra o Supremo. O presidente tentou enquadrar Alexandre de Moraes. “Ou pede para sair”, disse.
Bolsonaro repetiu os últimos dias e investiu contra Moraes e Barroso. Fez, nesse contexto, insinuações autoritárias: “Pode acontecer aquilo que não queremos”. Como o único modo constitucional de apear um ministro do Supremo é por meio do Congresso, medida na qual Bolsonaro fracassou, sobra a alternativa golpista.
O presidente disse que convocará o Conselho da República. Se levar isso a cabo, atua em face da ameaça velada que fez. O Conselho poderia discutir, em tese, estado de sítio ou de defesa. Parece bravata.
Cabe agora observar as reações dos principais atores institucionais: os presidente da Câmara e do Senado; o presidente do Supremo e os presidentes do tribunais superiores; partidos políticos; OAB e demais entidades relevantes da sociedade civil.
Parte dessa resposta dependerá do teor do discurso na avenida Paulista, em São Paulo. Os ministros do Supremo esperam de Fux uma reposta fortíssima, caso o presidente repita as palavras da manhã.

