A delação da desembargadora Sandra Inês mostrou que ela e seu colega, Baltazar Miranda Saraiva, fizeram dobradinhas enquanto o esquema de vendas sentenças investigado na operação Faroeste vigorava no TJBA. Uma delas, segundo o filho da magistrada, Vasco Rusciolelli Azevedo, envolve o senador Ângelo Coronel, do PSD. 

Vasco admitiu às autoridades que o advogado Júlio César o procurou com a proposta de pagar R$ 50 mil para que a desembargadora se declarasse impedida e “reconhecesse a prevenção de Baltazar Miranda, que, segundo Júlio, já estava acordado com Ângelo Coronel decisão favorável à empresa do filho de Ângelo Coronel” em uma licitação.

Consta da delação que o pagamento a Vasco ocorreu na garagem do prédio onde mora a magistrada. Já a licitação envolvia a Sabore Comércio e Serviços de Alimentos. A empresa teve sua inidoneidade decretada pelo TJBA em 2016, quando atendia hospitais públicos estaduais.

Há ainda um outro caso envolvendo os dois desembargadores. Vasco afirmou em outro trecho da delação que tentou, sem sucesso, traficar influência junto a Baltazar. Segundo ele, o advogado Marcelo Junqueiro Ayres Filho queria do magistrado uma decisão favorável numa ação sobre a posse de um terreno.

Porém, Vasco afirmou que não conseguiu o objetivo pretendido, apesar de já ter trabalhado com Baltazar. O desembargador ficou conhecido na operação Faroeste após Gesilvado Brito, seu colega de corte, ter sido pego em escutas telefônicas acusando-o de furtar duas medalhas comemorativas do TJBA.