Há mais de um mês que carnes brasileiras não desembarcam na China. O veto do país asiático se deu após dois animais serem diagnosticados com o mal da vaca louca. A suspensão, mantida mesmo depois de descartado o risco de expansão da contaminação, pode custar US$ 4 bilhões anuais, segundo o jornal Financial Times.
Mas alguns exportadores arriscaram. E, mesmo com o veto, decidiram mandar suas mercadorias por via marítima até a China – responsável por US$ 4,9 bilhões das exportações de carnes brasileiras e 34% da produção do agronegócio.
Agora, estão remanejando suas cargas para outros mercados das vendas brasileiras de proteína animal. Uma fonte do setor privado, com bom relacionamento junto à China, disse ao Bastidor que os principais destinos são Sudeste Asiático, Oriente Médio, Japão e Coreia do Sul.
Esses mercados compraram, juntos, US$ 1,5 bilhão em carnes do Brasil até setembro deste ano, segundo o governo federal. No mesmo período, as exportações de proteína animal para Europa e américas do Norte e do Sul totalizaram US$ 1,6 bilhão.
A manutenção prolongada do veto fez com que Tereza Cristina atuasse diretamente para solucionar o problema. A demora na liberação também trouxe consigo teorias de que a China estaria retaliando não o Brasil, mas o governo Jair Bolsonaro.
Essa mesma fonte disse ao Bastidor que o “casamento” entre os dois países é indissolúvel e que as “premissas dessa possível retaliação são vagas e sem base em fatos concretos”. Mas alertou que o Brasil precisa perceber sua desvantagem nessa relação com a China, pois depende mais do país asiático do que acontece no cenário inverso.
“Não há relação direta. Mas, se realmente houver retaliação, ela é velada”, finalizou.

