Quando o processo da fábrica de Alagoinhas caiu nas mãos do desembargador Manoel Erhardt, no STJ, a cervejaria Heineken logo contratou o escritório Queiroz Cavalcanti. Pela proximidade, os advogados que atuam na banca não devem ter sido escolhidos à toa.
Um dos advogados é Bruno Cavalcanti, sócio do escritório. Ele é filho do desembargador Francisco de Queiroz Bezerra Cavalcanti, que foi colega de Erhardt durante décadas, até se aposentar em 2014. O Queiroz Cavalcanti foi fundado pelo pai do desembargador Francisco (também chamado Francisco) e seu irmão Flávio Queiroz Cavalcanti, desembargador do mesmo TRF-5, até morrer em 2013. Bruno, portanto, herdou o escritório do tio e do avô.
Em agosto, já com o Queiroz Cavalcanti constituído nos autos do STJ, Erhardt recebeu uma honraria no Instituto de Advogados de Pernambuco: a medalha Flávio Queiroz Cavalcanti. O advogado Bruno é diretor do Instituto. O antigo colega de Erhardt, professor Francisco Cavalcanti, pai de Bruno, é conselheiro do mesmo instituto. Participou da cerimônia.
Erhardt e Francisco Cavalcanti também são antigos colegas de docência na Universidade Federal de Pernambuco.
O desembargador convocado ao STJ tem outra atividade docente: fundou e deu aulas no Espaço Jurídico, entidade de ensino para cursinhos. Hoje, o negócio é tocado pela mulher do desembargador, ao lado de dois de seus filhos. Um dos sócios do Queiroz Cavalcanti, o advogado Caio Vilela, apresenta-se como professor do Espaço Jurídico.
Nas redes sociais, filhos de Erhardt são amigos de Bruno e seu pai. O desembargador é amigo de todos. Sempre dá parabéns nos aniversários de Bruno e nas celebrações do advogado à frente do Instituto de Advogados de Pernambuco.
Ano passado, quando era presidente do Instituto, Bruno comemorou um almoço em que recebera o desembargador para uma conversa com os associados. “Almoço com a família Erhardt”, registrou no Facebook. Tiago Erhardt, um dos filhos do desembargador, estava lá. Todos curtiram o evento.
Quando o desembargador Francisco Cavalcanti se aposentou, Erhardt foi um dos que discursaram em longa homenagem ao colega. Desde então, Francisco segue atuante como professor e autor de livros, além de manter um escritório próprio de advocacia. Em 2017, quando Erhardt era presidente do TRF, Francisco conseguiu ampliar os proventos de sua aposentadoria, por “invalidez incapacitante”.
O desembargador Manoel não é o primeiro integrante da família a despachar no STJ. Seu filho André, procurador federal, está cedido ao gabinete do ministro Og Fernandes, também do STJ, desde 2013.
O Bastidor enviou perguntas detalhadas e específicas acerca da relação do desembargador com o escritório contratado pela Heineken. O Queiroz Cavalcanti não respondeu. O gabinete do desembargador ignorou as perguntas e apenas informou que um recurso do caso será julgado na Primeira Seção em 10 de novembro.

