O filho de Ives Gandra Martins, que leva o mesmo nome do pai e é candidato ao Supremo, criticou hoje o YouTube por excluir a live enganosa de Jair Bolsonaro sobre a inexistente associação entre vacinas e a Aids. O presidente da República também teve seu vídeo excluído do Facebook – o Twitter não apagou o conteúdo, mas incluiu uma advertência sobre “informações enganosas e potencialmente prejudiciais” sobre a pandemia.
A crítica foi feita em publicação de Bia Kicis no Instagram. A deputada acusou a revista Exame, responsável por publicar o texto manipulado por Bolsonaro em seu discurso, de contradição. “Ao que parece, controle seletivo e de mão única”, disse Ives Gandra Martins Filho na postagem da deputada.

Kicis só se esqueceu de publicar a linha-fina – jargão jornalístico para o texto que complementa as informações divulgadas no título – da notícia. Nesse trecho, a revista destacou que, “por ora, nenhum teste realizado com as vacinas da covid mostrou resultado semelhante”, em relação ao aumento de infecções pelo HIV.
O texto publicado pela Exame tratou de um estudo feito em 2007, sobre o adenovírus 5, usado na vacina russa Sputink – que não é aplicada no Brasil, apesar de a Anvisa ter liberado seu uso em situações muito específicas. Os cientistas realmente alertaram para esse risco, mas, em momento algum, garantem que esse fato está confirmado.

Os dois primeiros parágrafos do texto publicado pela Exame estão escritos da seguinte forma:
“Um estudo publicado no jornal científico The Lancet está causando preocupação na comunidade médica que tenta desenvolver uma vacina contra a covid-19. Isso porque de acordo com pesquisadores, algumas vacinas que usam um adenovírus específico no combate ao vírus SARS-CoV-2 podem aumentar o risco de que pacientes sejam infectados com HIV, o vírus da Aids — para isso, a pessoa precisa ser exposta ao vírus. Até agora, não se comprovou que alguma vacina contra a covid-19 reduza a imunidade a ponto de facilitar a infecção em caso de exposição ao vírus.”
Vale lembrar que Ives Filho é candidato recorrente a uma cadeira no STF – mesmo sendo preterido em todas as vezes que se ofereceu para integrar a mais alta corte do país – e está de olho numa eventual rejeição a André Mendonça. O ministro e ex-presidente do Tribunal Superior do Trabalho é conservador, assim como seu pai – que já fez malabarismo jurídico para defender um golpe militar contra o STF e justificar os atos de Bolsonaro na pandemia.

