A suspeita de que Marcos Tolentino é ligado ao FIB Bank foi confirmada pelo Coaf. Um relatório produzido pelo órgão de controle de atividades financeiras mostrou que Tolentino foi o destinatário final de R$ 1,9 milhão pago pela empresa que, apesar do nome, não é um banco.
As informações constam da decisão que autorizou a operação de hoje da Polícia Federal contra a Precisa Medicamentos e seus representantes.
Os quase R$ 2 milhões recebidos por Tolentino foram pagos pelo FIB Bank à empresa Space Air, que pertence ao advogado, em 20 transações realizadas entre julho de 2019 e maio deste ano. Ele é acusado, junto com Francisco Maximiano, dono da Precisa, de usar uma teia de empresas de fachada e laranjas para dissimular transações financeiras para agentes públicos.
Em depoimento à CPI da Pandemia, que terminou nesta semana, Tolentino negou ter qualquer relação com o FIB Bank. A empresa passou a ser investigada depois de denúncias de fraude na compra da vacina indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech.
O FIB Bank foi responsável por dar uma carta de garantia financeira falsa para garantir à Precisa a assinatura do contrato com o Ministério da Saúde. Foi descoberto depois que a fiança era uma fraude – assim como o próprio FIB Bank e sua estrutura advinham de uma fraude empresarial ainda sob investigação.
Segundo o relatório do Coaf, a conta do FIB Bank era de passagem: dinheiro entrava lá e, em seguida, era transferido para Tolentino.Quase toda a receita do FIB Bank em 2020 e 2021 foi repassada a Tolentino.
Como Tolentino e o FIB Bank apresentavam cartas-fiança para outros contratos de peso, a PF passou a investigar a suspeita de um esquema paralelo ao do caso Covaxin.
Tolentino é próximo a líderes do PP.

