O relator do pedido de cassação do deputado Luís Miranda no Conselho de Ética da Câmara, Gilberto Abramo, mudou seu posicionamento nesta quarta-feira, 3 de novembro, para pedir o seu arquivamento. O colegiado seguiu o relatório, encerrando o processo de cassação contra o parlamentar.
Duas semanas atrás, porém, Abramo entendia que Miranda quebrara o decoro parlamentar ao denunciar corrupção na contratação de vacinas da Covaxin pelo Ministério da Saúde à CPI da Pandemia e não às autoridades competentes.
Houve hoje, porém, uma reviravolta. O relator cita um parecer Procuradoria-Geral da República segundo o qual “os eventos relacionados” pelo deputado “aparentam guardar estrita correspondência com a realidade” para afirmar que, “tendo em vista o teor” da manifestação da PGR, “não é possível falar em denunciação caluniosa”, pedindo seu arquivamento.
A mudança de posicionamento do relator, acompanhado pelo colegiado, tem a ver, como já informou o Bastidor, com a atuação de Arthur Lira, presidente da Câmara. Por medo de que, numa eventual cassação, Miranda colocasse “pra quebrar”, como ameaçou.
Funcionou. Lira fez pressão para que o relator mudasse seu voto e, mais, que tivesse o apoio de legendas da base do governo (PL, PP, Republicanos), centrão (PSL, PSD, Podemos) e da oposição (PT, PSDB, PDT, PSOL).
À Polícia Federal, Luís Miranda afirmou, em agosto, que Lira fez pressão e “ameaçou derrubar” o ministro Eduardo Pazuello para que avançasse na compra da Covaxin pelo Ministério da Saúde. O contrato com a Precisa Medicamentos tinha mil por cento de sobrepreço.

