Embora Jair Bolsonaro diga haver outras possibilidades partidárias para a sua filiação, argumentando que mantém conversas abertas com PP e Republicanos, a escolha não será fácil para o presidente, diz um aliado, caso ele decida que o PL não é o caminho.
Controle, como gostaria, Bolsonaro não terá de nenhum dos chefes das três legendas. Como não terá do PL, de Valdemar Costa Neto, não terá do PP, de Ciro Nogueira, nem do Republicanos, de Marcos Pereira.
O presidente quer porteira fechada, como se diz na política para a obtenção do controle dos cargos e do dinheiro. Mas ninguém quer ceder como Luciano Bivar em 2018 com o seu PSL – que, aliás, logo mudou de ideia e precipitou a crise cujo desfecho deu-se com a saída de Bolsonaro do partido.
A vantagem do PL e do Republicanos, diz o aliado inteirado das conversas, é o controle central das legendas, o que garante certa unidade. O PP é fragmentado ao estilo de federações estaduais e, apesar da pressão do presidente, ele terá menos controle sobre as alianças regionais.
Bolsonaro reclama do apoio prometido pelo PL ao vice-governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, um neotucano, apoiador de João Doria. Mas, aconselham os aliados do Palácio do Planalto, o risco é de que situações como essas sejam mais numerosas no PP.
No partido de Ciro Nogueira, principalmente entre integrantes do Nordeste, há quem prometa apoiar o ex-presidente Lula, independente da filiação ou não de Bolsonaro.
No Republicanos, haverá constrangimento para a legenda abrigar algumas ideias do bolsonarismo. Uma delas é a defesa de armamento da população. O partido, ligado à Igreja Universal, é contra.
Ministros que defendem a ida de Bolsonaro para o PL aos poucos tentam convencer o chefe de que a rejeição de seus apoiadores está precificada e que logo eles voltarão a apoiá-lo.
De acordo com uma fonte, Bolsonaro passou a sofrer pressão maior após o evento de filiação de seu ex-ministro Sergio Moro ao Podemos. Resolveu dar um passo atrás.
Apesar da rusga com Valdemar Costa Neto, Bolsonaro tem ouvido conselhos de que, ao contrário de 2018, ele precisará de dinheiro, tempo de TV e estrutura partidária para poder defender seu governo dos ataques que sofrerá durante a campanha eleitoral.

