São Paulo é, para o presidente Jair Bolsonaro, ponto central para a definição do partido a que se filiar. Mas não é o único.

De acordo com fontes inteiradas das discussões e com contato com a família presidencial, de pouco mais de um mês para cá a pressão de seus apoiadores ideológicos ficou mais forte.

O ponto de virada foi a percepção de que os problemas na área econômica, como inflação e desemprego altos, são graves e podem prejudicar sua campanha a reeleição. O movimento, então, passou a defender com mais vigor a radicalização do discurso conservador e o fortalecimento do que chamam de guerra cultural.

É nesta toada que Carlos Bolsonaro, para fortalecer seu argumento, passou a levar números das redes sociais ao presidente, na esperança de que o pai desista, não apenas do PL, mas dos partidos do centrão.

Ele não entendeu, dizem amigos da família, que o cenário político é diferente do que foi em 2018. O filho zero dois de Bolsonaro acha que o pai pode vencer a disputa eleitoral só com internet e sua rede de apoiadores.

Outro motivo para a subida no tom do grupo foi a filiação de Sergio Moro ao Podemos. O evento, que teve ares de lançamento de campanha, transformou Bolsonaro em alvo para um grupo fundamental para a sua eleição três anos atrás, os lavajatistas.

Carlos e Eduardo Bolsonaro têm papéis proeminentes nesse grupo. O deputado federal mantém ativamente contato com movimentos internacionais de extrema-direita e, deles, recebe orientações políticas.

A avaliação dessas lideranças, cujo nome mais famoso é Steve Bannon, é de que o grupo de eleitores que assumiria como sua a guerra cultural dos Bolsonaro daria ao presidente de 20% a 30% do eleitorado, colocando-o no segundo turno.

Bannon responde por conspirar para a invasão do Congresso dos Estados Unidos em janeiro. Na ocasião, cinco pessoas morreram.

A contraparte da ala da extrema-direita é a ala política, que também se preocupa com os rumos da economia. E tem dito a Bolsonaro que é importante que se filie a um grande partido, com dinheiro, tempo de televisão e infraestrutura política nos estados para que defenda seu governo na campanha eleitoral.

É onde está o senador Flávio Bolsonaro, o zero um do presidente. De acordo com a leitura do grupo, o Brasil não é os Estados Unidos, onde Donald Trump, seguidor da corrente autoritária, perdeu a eleição.

Os Estados Unidos e alguns dos países europeus onde se registra crescimento de movimentos de extrema-direita não têm miseráveis como o Brasil. Aqui, argumenta esse grupo, o eleitor médio não está interessado numa guerra cultural. Está à procura de comida e emprego.

É esse grupo que diz que São Paulo é fundamental, por se tratar do maior colégio eleitoral do país.