Jair Bolsonaro encontrou tempo nos últimos dias para reclamar da demora de Davi Alcolumbre em marcar a sabatina de André Mendonça para o STF. O presidente está passeando pelo Oriente Médio, com direito a motociatas, festas temáticas bilaterais e estadias pagas por sheiks do petróleo.

Uma fonte que conversou com o presidente nos primeiros dias da viagem afirmou que o presidente “reclamou muito do Alcolumbre“, inclusive acusando o senador de “abuso de poder” – o presidente já admitiu a pessoas próximas que se arrependeu de ter indicado Mendonça.

Bolsonaro disse também, ainda de acordo com a fonte, que Alcolumbre tem medo de pautar o nome de Mendonça e ver o advogado da União ser aprovado na CCJ e depois no plenário do Senado. 

Pessoas próximas ao ex-ministro da Justiça afirmam não saber o que Alcolumbre quer ao empacar o processo. Até o presidente do Senado entrou na jogada, porque, além de Mendonça, a avaliação de nomes para embaixadas, agências reguladoras e conselhos de classe (como CNJ e CNMP) também está parada.

O que se sabe é que Mendonça não é o nome favorito de Alcolumbre, mais inclinado a Augusto Aras ou até Humberto Martins – que não tem mais chances por ter mais de 65 anos. As mesmas preferências são partilhadas por Flavio Bolsonaro, que levou uma bronca do pai para se esforçar mais pelo nome “terrivelmente evangélico” do governo.

Em sua viagem, que começou no dia 15 e dura até o fim desta semana, Bolsonaro já se reuniu com os ditadores que lideram Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Hoje será o dia de visitar o Catar – esses encontros mostram a hipocrisia das costumeiras críticas do presidente a ditaduras da América Latina, como Venezuela e Nicarágua.