O grupo mais ideológico de apoiadores de Jair Bolsonaro tem aconselhado o presidente a segurar sua filiação ao PL, deixando o ato para abril do ano que vem, limite da legislação para ingressar a um partido. Esperam, com isso, ver a poeira baixar.
Ao mesmo tempo, parlamentares da base acham que deixar para o ano que vem não será jogo para ninguém – nem para eles nem para o presidente. O argumento é que as alianças locais vão caminhar sozinhas, sem incluir um apoio ao presidente.
Um exemplo é o Distrito Federal. A ministra da Secretaria de Governo, Flávia Arruda, que quer concorrer ao Senado, praticamente fechou com seu PL o apoio à reeleição do governador Ibaneis Rocha, do MDB.
No acordo, não há a obrigação do governador apoiar Bolsonaro nem de lhe dar palanque.
Como o DF, outras unidades da federação caminham para fazer seus próprios arranjos, excluindo das conversas o apoio à reeleição de Bolsonaro.
O risco, dizem, é que quando o presidente chegar à legenda, tudo estará arranjado e, por estar próximo ao limite do prazo, não lhe dará condição de interferir nas alianças locais com a ameaça de não se filiar, como ocorreu agora com o PL.
Apesar do quiprocó, a legenda continua sendo o local mais aberto a Bolsonaro. No PP, embora não tenha havido veto, aumentou a resistência interna, como mostrou o Bastidor, por conta das suas exigências do presidente.

