A preocupação deu o tom das prévias do PSDB realizadas neste domingo, 21. Teme-se que a divisão não seja superada após as eleições internas e que, com isso, o partido siga sem uma identidade.

Um interlocutor presente ao evento tucano no espaço Ulysses Guimarães neste domingo comparou com o evento de filiação do ex-ministro Sergio Moro no mesmo centro de convenções, duas semanas atrás, em que ele também esteve presente. Num, disse ele, “havia entusiasmo; no outro, dúvida sobre o futuro, e até apatia”.

A depender do interlocutor, o responsável pela crise que se vive no PSDB ganha nome e motivos diferentes. Do lado de Eduardo Leite, o responsável pela divisão é João Doria, que é visto como ambicioso e traidor.

Do outro lado, o do governador de São Paulo, o responsável é Aécio Neves, visto como bolsonarista e que está manipulando Eduardo Leite.

Para parte dos tucanos, Aécio não trabalha para fazer do governador do Rio Grande do Sul o candidato a presidente do PSDB. Seu apoio, dizem aliados de Doria, decorre da crença de que, adiante, conseguirá tirar Leite da disputa presidencial.

Aécio Neves, admitem seus aliados, defendia até pouco tempo atrás que o partido não tivesse candidato. É do deputado, ex-governador e ex-candidato a presidente o grupo tucano mais alinhado nas votações o governo de Jair Bolsonaro.

O atraso na definição do candidato tucano a presidente, por conta do problema no registro de votos da prévia, reforça a preocupação com o aprofundamento da divisão, o risco de saída de um dos pré-candidatos do partido e a desvantagem estratégica com a entrada tardia na disputa presidencial.