O mercado financeiro que tanto apoiou Jair Bolsonaro contra o PT em 2018 já considera antecipadamente ser mentira qualquer fala presidencial sobre a Petrobras e os preços dos combustíveis. “Essas declarações são bravatas eleitorais”, disse ao Bastidor uma fonte que atua no mercado financeiro, complementando que a volatilidade criada com as afirmações irritam os investidores.

No último domingo (5), o presidente “antecipou” que a Petrobras reduziria o preço dos combustíveis, sendo desmentido no dia seguinte pela estatal. Mas o estrago já foi feito e a CVM abriu investigação para saber se alguém da empresa vazou informações sensíveis.

Bolsonaro tem brigado mais com o mercado desde o início deste ano – nesse mesmo ínterim, o centrão ganhou mais poder sobre o governo do capitão reformado. Em fevereiro, o presidente reclamou que não podia falar nada que o mercado ficava “irritadinho”.

Depois disso, Bolsonaro prometeu colocar na rua um plano que nem sequer existia para privatizar a Petrobras, reclamou dos altos preços cobrados pela estatal sobre os combustíveis e ameaçou intervir na política de precificação – o presidente até zerou os impostos federais cobrados nas bombas dos postos pelo Brasil, mas a medida não surtiu efeito e ele culpou os governadores.

Mas o tempo se encarregou de mostrar que não passaram de palavras ao vento. A gasolina continua cara, com valor acima do patamar internacional, e a estatal permanece com a mesma divisão acionária e tendo o governo como detentor da golden share – instrumento que permite à União vetar qualquer decisão dos acionistas da empresa que afronte o interesse do Estado brasileiro.