O desempenho de Jair Bolsonaro nas pesquisas eleitorais preocupa seus aliados quanto à formação de palanques competitivos nos estados.
A avaliação é que sua rejeição é, hoje, o que mais tem pesado para a fuga de aliados.
De acordo com pesquisa da Genial Investimentos e da consultoria Quaest divulgada nesta quarta-feira, 8, o número dos que dizem conhecer o presidente e afirmam não votar nele de modo algum foi de 64%, maior que a rejeição de Sergio Moro (61%) e de Lula (43%).
A conta no Palácio do Planalto é que apenas a região Sul está garantida com palanques competitivos. No Rio Grande do Sul, o nome de Bolsonaro é o ministro Onyx Lorenzoni; em Santa Catarina, conta-se com a candidatura do senador Jorginho Mello ao governo estadual; e, no Paraná, o candidato certo do presidente é o governador Ratinho Jr.
No Sudeste, não há nada certo. Em São Paulo, integrantes de seu partido, caminham para um apoio na prática ao candidato tucano ao governo do estado, apesar da insistência do presidente de ter o ministro Tarcísio de Freitas na disputa ao Palácio Bandeirantes.
Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema costea a candidatura de Sergio Moro. No Rio, o governador Claudio Castro, do mesmo partido do presidente, seria palanque certo. Mas o engajamento de Castro é uma incógnita, porque aliados de Bolsonaro sabem que o governador andou namorando a esquerda e chegou a dizer a Valdemar Costa Neto, o chefão do partido, que não faria campanha para Bolsonaro – o que sua assessoria do governador negou ao Bastidor.
No centro-oeste, certo mesmo, segundo aliados de Bolsonaro, é possível contar desde já somente Mauro Mendes, governador do Mato Grosso.
A maior preocupação é para o risco de a rejeição do presidente causar um fenômeno chamado na político de Cristianização, que é quando o partido e seus aliados formais apoiam outro candidato.
O termo surgiu a partir do que ocorreu com Cristiano Machado, que se candidatou à Presidência da República em 1950 pelo PSD. Ao longo da campanha, embora formalmente apoiado pelo partido, Cristiano se viu abandonado por seus principais líderes, que passaram a defender a candidatura de Getúlio Vargas, do PTB, que, por fim, venceu a eleição.

