Parlamentares estão apreensivos desde que Rosa Weber permitiu o retorno das emendas de relator. Enxergam no ato um “anzol” jogado pela ministra para pegá-los pela boca, segundo uma fonte com bom trânsito entre senadores e deputados.

Esses congressistas não esqueceram que a PF está atrás atrás dos “donos” dessas emendas em busca de desvios ou outros crimes. Essas suspeitas, somadas à falta de transparência, fizeram com que essas transferências fossem nomeadas jocosamente de orçamento secreto ou bolsolão.

Já há cinco investigações no STF sobre o tema: uma com Rosa Weber, outra está nas mãos de Alexandre de Moraes, mais duas sob a responsabilidade de Ricardo Lewandowski e uma sexta que ainda precisa ser distribuída entre os ministros.

Uma das apurações sob a fiscalização de Lewandowski alvejou Josimar Maranhãozinho, do PL de Valdemar da Costa Neto e agora também de Jair Bolsonaro. “Esse é o mensalão do governo Bolsonaro”, afirmou a mesma fonte.

Apesar do receio em relação à Rosa, o medo maior desses congressistas é com a possibilidade de os repasses via emenda de relator acabem. As alternativas, caso essas transferências sejam extintas, são as emendas de bancada e as de comissão.

Rosa Weber havia suspendido as emendas de relator – com apoio de seus pares – justamente pela falta de transparência desses pagamentos, que é o que mais atrai o mundo político.

Mas um procurador ouvido pelo Bastidor afirmou que a preocupação dos congressistas deve se restringir à vontade dos ministros do STF em moralizar a política, porque Augusto Aras não deve mover um dedo além do necessário.

“Aras falou durante sua sabatina para recondução ao cargo de PGR que não iria demonizar ou criminalizar a política. Isso já resume. Ele só vai agir caso apareça alguma fratura exposta”, disse o procurador sob a condição de anonimato.

O PGR fica numa situação difícil nesse xadrez das emendas de relator. Se atuar como deve vai atrair olhares nada graciosos dos parlamentares. Caso não o faça, ele será criticado novamente por sua inércia em temas que podem esbarrar no clã liderado por Jair Bolsonaro.

Porém, se engana quem pensa que uma investigação sobre as emendas de relator poderia apenas prejudicar Bolsonaro. Caso a investigação envolvendo Maranhãozinho alcance mais nomes do PL, o presidente ganha mais poder de barganha sobre Costa Neto, seu aliado de ocasião.