Carla Zambelli tentou, sem sucesso, votar hoje (14) proposta que regulamenta a caça esportiva no país. O movimento é um aceno à base eleitoral bolsonarista. Mas em nada tem relação com a eleição que se avizinha. Ela quer mostrar sua força porque parte do agronegócio quer a cabeça da presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara.
A pauta ambiental, junto a de costumes, é uma das que mais movimentam a base bolsonarista que elegeu a seguidora incansável de Jair Bolsonaro. Segundo uma fonte com trânsito na agroindústria, a insatisfação com Zambelli existe justamente pela falta de sucesso em aprovar um dos projetos considerados vitais pelo setor: a regulação do mercado de crédito de carbono – a votação do texto (apensado a outros quatro projetos de mesma temática) em plenário foi adiada 13 vezes.
A deputada assumiu a presidência da comissão em março deste ano, dentro do acordo com o governo pela chefia de diversos colegiados para colocar Arthur Lira como presidente da Câmara. “A Zambelli servia para defender as políticas do Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente. Agora que ele deixou o governo [em junho deste ano], ela não tem mais função”, afirma essa fonte.
Essa mesma fonte diz que a deputada consegue a proeza de desagradar “esquerda e direita” na gestão da comissão. Diz ainda que nem mesmo o projeto da caça esportiva é unanimidade na direita brasileira.
É verdade que o agronegócio sofre com a invasão dos chamados javaporcos – animal que surgiu após a inserção de javalis no ecossistema brasileiro e procriou em níveis alarmantes pela falta de predadores naturais. Mas a caça desses animais está liberada desde 2019 pelo Ibama – ainda na gestão Salles à frente do Ministério do Meio Ambiente.
Advogados que militam na área ambiental afirmaram em grupos de Whatsapp que o texto da caça esportiva é um “retorno à bárbarie”. O projeto elaborado pelo deputado Nilson Stainsack detalha que a permissão permitirá o “aumento da interação homem e natureza” e a “conservação de espécies ameaçadas de extinção, mediante autorização de criação desta espécies e também das espécies que forem autorizadas a caça”.
Mesmo argumento, diferentes temas
Outra justificativa incluída no projeto é a de que a liberação da caça esportiva ajudará no combate ao tráfico de animais silvestres e na proteção das matas, pois os adoradores da morte animal supostamente protegeriam a fauna e flora que usam como esporte.
O argumento é similar ao daqueles que defendem a legalização do consumo e da venda da maconha. Dizem que a regulamentação desse mercado ajudará a reduzir a criminalidade ao mesmo tempo em que cria empregos, gera renda e, consequentemente, impostos.
A legalização também é usada como argumento por bolsonaristas a favor dos garimpeiros. Defendem que a regulamentação da atividade acabará com a ilegalidade, facilitando a fiscalização e promovendo a proteção do meio ambiente.

