Prestes a consolidar sua candidatura, Lula mantém a preferência de disputar o segundo turno com Jair Bolsonaro. A estratégia passa por evitar um confronto eleitoral precipitado com Sergio Moro. O ex-presidente e seus aliados, contudo, ainda refletem sobre o curso de ação mais inteligente para lidar com a pré-candidatura do ex-juiz.

Embora não haja conclusão, as discussões internas intensificaram-se após Moro resolver responder às investidas do PT. O ex-ministro partiu para o contra-ataque. Em uma publicação recente, chamou Lula de mentiroso por ter afirmado que a Lava Jato causou prejuízos econômicos ao país.

Uma parte dos aliados do ex-presidente avalia que Lula deve responder e construir desde já uma narrativa contra Sergio Moro, citando a decisão do Supremo que considerou o ex-juiz suspeito nos casos do petista.

Ao mesmo tempo, há quem diga que rivalizar com Moro é dar importância e peso político ao adversário, conferindo-lhe visibilidade – e até o ajudando na conquista de votos.

O desempenho de Moro nos próximos meses tende a ser decisivo para a reação no campo lulista. Caso o ex-juiz suba nas pesquisas, mesmo que às custas de votos bolsonaristas, o ex-presidente e o PT devem partir para o ataque. Se Moro permanecer num patamar relativamente baixo (cerca de 10% do eleitorado) e com rejeição alta, será mais fácil ignorar o ex-ministro e insistir numa polarização com Bolsonaro.