Lula gosta de dizer que eleição é sentimento. Não é pequeno o temor dele pelo ressurgimento do sentimento antipetista precisamente no momento mais decisivo da campanha: num eventual segundo turno.

Aumentou a preocupação do ex-presidente com a possibilidade de o antipetismo ser uma força relevante em 2022. Em conversas recentes, o ex-presidente admitiu ser importante trabalhar intensamente por uma vitória já no primeiro turno.

Lula acredita cada vez mais que, num eventual segundo turno, o sentimento antipetista possa ser mobilizado com eficiência por seu adversário – possivelmente, prevê, Jair Bolsonaro.

Até agora, mesmo em conversas reservadas, a cúpula petista dava menor importância a esse fator. Considerava-se que o confronto com Bolsonaro seria apenas benéfico, em virtude da rejeição do presidente – e, também, na aposta de que parte do eleitorado lembrará de que a vida era melhor no governo de Lula.

O ex-presidente ainda prefere que seu principal adversário seja Bolsonaro, desde que ele mantenha os péssimos níveis de aprovação. Mas passou a dar maior peso aos riscos inerentes a uma campanha em segundo turno.

E o maior risco, na visão dele, é que uma faísca antipetista seja acendida nas poucas semanas de um eventual segundo turno. Como Lula bem sabe, o segundo turno é uma nova campanha. Para o eleitorado, há apenas duas opções; os ataques são mais incisivos e letais.

No cenário temido por Lula, o eleitor centrista seria conquistado pela rejeição ao PT, por meio da lembrança dos escândalos de corrupção de seu governo e pelo manuseio eleitoral do sentimento de que o mal-estar econômico atual decorre dos desvios do dinheiro público no passado.