Depois de um mês de dezembro promissor, os donos de bares e restaurantes de todo o Brasil começaram o novo ano em dúvidas quanto ao futuro. Apesar de ser um ano eleitoral, a economia ainda não é o principal medo do setor. Os afastamentos de funcionários por suspeita de covid-19 têm sido cada vez mais frequentes e atrapalham o planejamento dos empresários.
O presidente da Abrasel, Paulo Solmucci, avalia que o problema é causado pela falta de disponibilidade de exames que atestem a covid-19. Além do coronavírus, alguns locais enfrentam surtos de influenza, cujos sintomas iniciais são parecidos. Dessa forma, até que o resultado seja descoberto, o funcionário fica afastado das funções.
“Num posto de saúde, são seis horas de espera pelo menos. E na rede privada você não consegue, precisa agendar”, reclama. A falta de exames também preocupa especialistas e gestores públicos.
Os afastamentos por covid-19 podem durar até 15 dias, enquanto a influenza, por ter tratamento, pode gerar retorno mais breve do funcionário ao trabalho.
“O problema não é a Ômicron, é o diagnóstico. A orientação que nós temos é de afastar o funcionário com sintomas. Chegamos a ter 5 funcionários afastados [em algumas empresas]. Em alguns casos é de fechar as casas”, diz.
A demora nos exames impede a reavaliação do afastamento obrigatório de 15 dias, pauta defendida pela Abrasel. A entidade acredita que seria possível um funcionário retornar antes ao trabalho, caso os testes posteriores ao diagnóstico tenham resultado negativo para a infecção poucos dias depois.
Outro problema apontado por Solmucci é a falta de coordenação entre os entes federativos no combate à pandemia. Passados quase dois anos, governo federal, estados e municípios ainda divergem quanto às medidas mais adequadas para conter o coronavírus. Além disso, o único consenso, que é a vacinação, sofre para avançar.
“Em nível federal e estadual é fundamental que se continue a campanha de vacinação. A terceira dose está indo mais devagar”, diz.
A Abrasel também é contra a adoção do passaporte de vacina. Solmucci diz que a iniciativa adotada em algumas cidades como o Rio de Janeiro, é ineficaz, já que os empresários não fiscalizam todos os clientes. Por outro lado, deseja que as questões referentes à pandemia sejam menos politizadas e mais focadas em ciência.
“Aqueles que não acreditam ou duvidam da vacina atrapalham muito. A Abrasel foi a primeira entidade a fazer campanha pela vacinação. Nós acreditamos muito nisso”.

